Por muitos anos sempre vivi o 25 de Abril como um dia
de festa, o dia em que conheci a liberdade e acreditei que seria minha para
sempre.
Custa ver a nossa soberania a ser estropiada e vendida a
troco de alguns milhões para distribuir por alguns e, alguns a condenar alguns milhões
a viver neste pobre País de “ditadura” tecnocrática com uma governança de alterne, de falsas
alternativas.
Custa ver
este povo que vi cantar feliz, nas ruas a festejar a liberdade, a ser amigo,
solidário, a mostrar que o futuro não tinha de ser isto: um viver cinzento, com
fome, conformado e desesperançado.
Custa ver
esta gente a ser amansada e manipulada por vendilhões e trafulhas, fazedores de ideais
errados e por redacções de televisão controladas por poderes obscuros e
corruptos.
"Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim."
Por isso
deixei de estar em festa e passei a estar de luto e em luta contra a
mentira, a hipocrisia, contra um futuro sem futuro, contra um país cada vez
mais adiado, com governantes incompetentes e ladrões.
Estou em luta porque acredito que ainda
restará em todos uma semente daquele dia… Um cravo murcho pronto a reflorescer.
Estou de
luto porque, quem viu este povo nas ruas no dia 25 de Abril de 74 não pode
deixar de acreditar, de ter fé, que um dia, breve, vai reacordar.


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